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Gravadora que tirou black music do gueto
faz 50 anos

 

Entre 1958, quando Elvis Presley foi servir o Exército na Alemanha, e 1964, ano em que os Beatles conquistaram os EUA com I want to hold your hand, existiu um vácuo no mercado da música pop americana que foi preenchido por grupos vocais femininos negros com o Marvelettes, Marttha & The Vandellas e The Supremes.

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Stevie Wnder foi gigante da música pop

O conceito dos girls groups, com artistas vestidos, penteados e coreografados de modo impecável para performances nos programas de auditório da TV e nos shows, saiu da cabeça de Berry Gordy Jr., o homem que fundou a Motown (inicialmente, Tamla) em Detroit, no Michigan, em 12 de janeiro de 1959, com um empréstimo de US$ 800 e mudou a história do pop americano e, por extensão, do pop mundial.

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Prédio, em Detroit, derviu como sede da gravadora entre 1959 e 1968

Com elenco formado 100% por artistas negros, a Motown tirou a black music do gueto e a colocou na sala de estar do grande mercado branco, numa época em que os negros americanos ainda lutavam por direitos civis.

Entre 1962 e 1971, a gravadora de Mr. Berry Gordyemplacou 240 sucessos no Top 40 das paradas dos EUA e fez nascer gigantes musicais como The Supremes (de onde saiu Diana Ross), Marvin Gaye, Stevie Wonder, Michael Jackson e Jackson 5, The Temptations, Smokey Robinson, FourTops e The Isley Brothers.

O nome Motown (contração de “Motor Town”, cidade dos motores) é uma homenagem à cidade natal (Detroit) da gravadora, famosa por ser um polo de montadoras de automóveis.

A companhia também funcionava como uma espécie de linha de montagem, com times de compositores e uma ótima banda de estúdios produzindo hit atrás de hit, enquanto os cantores tomavam cursos de dicção, canto e dança. Gordy era tão criterioso que, toda semana, fazia reuniões de “controle de qualidade”.

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Obviamente, as águas caudalosas da Motown (vendida em 1988 à MCA por US$ 61 milhões que, por sua vez, a repassou à Poly- Gram/Universal por US$ 325 milhões, em 1993) chegaram às praias brasileiras.

Entre meados da década de 60 e o começo dos 70, artistas como o mestre Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Dom Salvador, Gerson King Combo, Tony Tornado e até o Rei Roberto Carlos gravaram álbuns sob a influência da soul music da matriz Motown.

Sandra de Sá, que estreou em 1980, chegou a gravar um álbum inteiro com versões dos hits da Motown, Pare, olhe, escute (2002). “Em 1959 eu já dava meus primeitos passos pelo centro do Rio, enquanto a Motown nascia para mudar o rumo da música; abria assim espaço para que os artistas negros mostrassem seu valor, sua beleza”, afirma.

 

Por Hagamenon Brito - Correio da Bahia

 
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