As carreiras do paraguaio Fábio e do inesquecível Tim Maia se cruzaram muito nos anos 60 e 70. Quando o primeiro estourou nacionalmente com “Stella” e Tim ainda não tinha gravado nenhum disco de repercussão, apenas dois compactos simples na CBS e pela RGE, os dois se conheceram e quando o futuro papa do soul brasileiro conseguiu um contrato com a Philips, foi no apartamento de Fábio na rua Real Grandeza, em Botafogo (zona sul do Rio de Janeiro), onde Tim foi morar.
A gratidão não foi esquecida e nos anos 70, quando Fábio se encontrava esquecido pelas gravadoras, o “síndico” foi dar uma força ao amigo na gravação de “Até parece que foi sonho”, belíssima balada de Paulo Sérgio Valle composta para dar um novo gás no repertório do paraguaio, agora contratado pela EMI-Odeon.
A música foi tão bem recebida nas rádios que o produtor Augusto César, o “Carneirinho” dos Fevers e o próprio Fábio simplesmente apelaram a Tim que participasse de uma nova gravação. Seria da música “Velho Camarada”, de autoria de Cassiano. Mas segundo Nelson Motta no excelente livro Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia, Tim deu trabalho. Queria ajudar o amigo que vinha a perigo, mas avisou que só tocaria flauta.
Era melhor que nada. Mas bastou o playback da banda ser disparado no estúdio e Tim Maia não resistiu. Soltou a voz numa linda canção sobre amor e amizade. E para encorpar ainda mais a música, que já era ótima, chamaram Hyldon para gravar o refrão do seu clássico-eterno “Na rua, na chuva, na fazenda” - encaixe perfeito ao que já estava gravado, letra e melodia.
O resto é história: a gravação estourou nas rádios a exemplo de “Até parece que foi sonho” e rendeu clip na TV Globo e participações em inúmeros programas musicais do já distante ano de 1979.
Então, direto do túnel do tempo, os duetos de Fábio e Tim Maia - o último deles com o auxílio luxuoso de Hyldon, são os clips da semana no A Mil Por Hora.