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MySpace ganha cada vez mais prestígio entre bandas, artistas e público de diversas faixas etárias.

Espaço virtual cada vez mais importante para a música

Parece que todo cidadão “normal” tem Orkut. E parece que tudo quanto é banda tem MySpace. Se não tem, deveria ter. Esta é a conclusão a que se chega depois de ouvir gente que trabalha na cadeia produtiva da música. O assunto já é tratado inclusive em palestras e mesas-redondas. Recentemente, na Universidade Estácio de Sá, no Centro do Rio, convidados que trabalham com rádio, marketing, gravação e jornalismo participaram de um encontro para discutir empreendedorismo na área musical e foram unânimes: ter uma página bem visitada no MySpace pode ajudar muito um artista a decolar.

O MySpace foi criado por Chris DeWolfe (CEO) e Tom Anderson (Presidente), em Janeiro de 2004, e em julho do ano seguinte o negócio foi comprado pela News Corp. Ao redor do mundo, segundo números oficiais, são 110 milhões de visitantes únicos por mês. No Brasil, o MySpace está completando um ano: foi lançado em dezembro de 2007. Antes de termos uma versão verde e amarela deste portal, alguns artistas brasileiros já se destacavam por lá. O Cansei de Ser Sexy, por exemplo, acumulou mais de 120 mil fãs. O Bonde do Role foi no mesmo caminho, com mais de 35 mil fãs conectados.

No Brasil, o fenômeno do qual mais se fala nesta rede é a jovem cantora e compositora Mallu Magalhães. Enquanto esta matéria era escrita, o perfil da namorada de Marcelo Camelo tinha sido exibido 2.745.420 vezes. Isso é pouco mais da metade de visitas únicas que a versão brasileira do MySpace tem no total por mês.

De olho no sucesso, jovens e veteranos confirmam a febre. É o caso do grupo carioca Bleffe, ainda um ilustre desconhecido se formos usar os parâmetros mallu-magalhânicos para qualquer comparação. Christian Garcia, cantor do grupo, acha importantíssimo aparecer na rede mundial de computadores, mas faz uma observação: “É altamente importante ter ferramentas como o MySpace. Lá, o público, as gravadoras e as produtoras separam o joio do trigo, e vão ver os melhores.” Mas ele faz uma observação: “Está faltando ‘humanidade’ nessa ‘modernidade’ toda. Não dá para banda viver só de streamings, visitas e downloads. Parafraseando o filósofo Fausto Silva: ‘Quem sabe faz ao vivo’.”

Quem também aderiu foi Hyldon. Ele lançou seu mais recente disco, “Soul brasileiro”, no MySpace antes de mandar para as lojas. Aos 57 anos, usuário de internet desde 1995, o veterano conseguiu fazer um acerto com o MySpace que lhe permitiu disponibilizar o disco inteiro (14 músicas). A prática é comum entre grandes artistas. “Acho legal”, diz Hyldon. “O MySpace dá um feedback bacana. Além de disponibilizar as faixas, lá, a gente consegue fazer um intercâmbio. Conhece sons de outras pessoas... Quase todo mundo que entra na minha página recebe uma visita minha. Conheci coisas de outros países. Conheci a garotada. Agora, já não é como no início. Até o Zezé Di Camargo e Luciano têm página no MySpace. Antes, era uma coisa alternativa. Agora, as gravadoras prestam atenção.”

Se isso ajuda um artista a vender discos? Hyldon simplifica: “Quem compra disco compra disco. O pessoal mais velho ou o garoto que gosta de ter a capinha... E quem não for comprar pelo menos vai ouvir. É como experimentar uma roupa, quando a gente vai numa loja: no MySpace, o cara experimenta a música.”

Para o diretor de marketing do MySpace no Brasil, Haryston Oliveira, não há dúvida de que uma página bem visitada ajuda um artista a vender (não apenas CDs mas, também, shows, camisetas, etc). “Quando o artista cria um ambiente favorável, uma página com bastante conteúdo e envolvente do ponto de vista da navegação, é natural que quem aprecia esse artista volte sempre e decida ampliar sua relação com esse artista. O surgimento do MySpace Music nos Estados Unidos (loja virtual do MySpace, que deve estar disponível no Brasil no ano que vem) é um sinal irrefutável do sucesso dessa estratégia. Cada página de artista se transforma em uma central daquele com diversos conteúdos relevantes e mais a venda de itens como ingressos, merchandising, música online, DVDs etc”, explica Oliveira.

Para o executivo, são três as vantagens principais que um usuário do MySpace tem em relação a quem não usa. A primeira é a praticidade. Todas as ferramentas, segundo Oliveira, são fáceis de usar e a banda não precisa ter alguém para “atualizar o site”. Isso, segundo ele, livra o artista daquilo que geralmente é um drama. “A segunda é a relevância do MySpace. Nós temos sempre uma posição privilegiada nos sites de busca e temos um público descobridor de artistas novos que, ainda por cima, é super disseminador. A última e mais importante é a plataforma promocional. No MySpace, o artista fica em contato direto com o público e seus fãs/amigos recebem suas atualizações e estão sempre antenados com o que acontece em torno do artista”, completa.

Mas e certas fatias de público, com gente mais velha? O MySpace faz diferença também para quem quer atingir este pessoal? Oliveira garante que sim: “O que temos visto é a utilização do site de forma universal.” É isso aí, um universo musical.


Por: Adilson Pereira - Portal Música Sem Fronteiras

 
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