Já no final da entrevista, o cantor Hyldon lembra: "Mas como eu ia esquecer de dizer isso?! Gosto muito do Espírito Santo! Foi na Praia de Itaipava (Itapemirim) que tive a inspiração para escrever "Na Rua, na Chuva, na Fazenda". Era 1972. No local tinha um coreto, uma casinha de sapê... Como será que está hoje? Foi lá que eu conheci uma menina de Minas Gerais, que me deixou apaixonado, mas sozinho. Tempos depois, escrevi a música", explica, em entrevista ao Caderno 2, o autor de um dos maiores hits da música brasileira.
Ainda que a cabeça de Hyldon constantemente remeta ao seu passado, é no futuro que ele baseia o recém-lançado "Soul Brasileiro", primeiro disco totalmente de inéditas do cantor desde 1989. Ainda que conte com alguns parceiros do início de carreira, como Chico Buarque, que toca kalimba na faixa de abertura ("Medo de Solidão"), e Carlos Dafé em "O Vento que Vem do Mar", Hyldon busca o novo neste álbum.
Influências
Nas faixas, o cantor vai além do gênero soul que o consagrou em músicas, como em "Dores do Mundo". "Eu gosto de soul, morei um ano em Nova York e assisti aos meus ídolos de perto. Mas também tenho influências de outras coisas, como o tropicalismo, as músicas do Roberto Carlos, de Jackson do Pandeiro, Pixinguinha...", reforça.
Com tantas referências, este recente trabalho contou com participações que injetaram novidades musicais nas faixas. Quando o cantor Roberto Frejat passou pela porta do estúdio, entrou e gravou as guitarras em "Rapaz de São Paulo". Assim como Zeca Baleiro, que tocou violão em "A Moça e o Vagabundo", numa prova de que antigos e novos amigos servem como influência em sua volta ao mercado. "Nesse disco, eu consegui a minha unidade", completa o cantor e compositor.