O Samba-soul da Maturidade
Nos anos 70, o cantor e compositor baiano Hyldon foi nome crucial para o estabelecimento de uma vertente brasileira de soul music, a partir da força ainda hoje intacta de canções como Na Rua, na Chuva, na Fazenda e As Dores do Mundo. A sonoridade que inventou unia o rhythm’n’blues norte-americano ao samba, mas abria caminho também para fusões com baião, toada caipira, arranjos aveludados de cordas. Mais de três décadas depois, a marca registrada de seu samba-soul ressurge, ampliada e amplificada, no aveludado Soul Brasileiro.
Trata-se de um trabalho de maturidade, plácido nas texturas, mas agitado em tudo o mais. Produção artesanal e independente, reúne um time heterogêneo e surpreendente de músicos convidados, como Zé Menezes, Carlinhos Vergueiro, Carlos Dafé, Dalto, Tunai, Frejat, Carlinhos Brown, Zeca Baleiro, Jorge Vercilo e até um discretíssimo Chico Buarque tocando kalimba em Medo da Solidão.
As fusões samba-soul se revalidam, em canções de litoral (O Vento Que Vem do Mar) e de interior (Rapaz de São Paulo), e avançam sobre outros gêneros, como jazz, choro, blues, folk, pop africano, axé e rap carioca. Em Copacabana Beach, até mesmo um acento social se manifesta, em rimas de hip-hop e em versos como a vista mais bonita de Copacabana é da favela.
Por: Pedro Sanches - Carta Capital
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